
Enquanto eu converso com aquele você que existe dentro de mim:
É que às vezes essas coisas ficam impregnadas dentro da gente...
E o que tem dentro da gente que nos habilita tamanha ironia, ou aspereza?
Como é que dentro dos beijos pode existir algo que não está inserido dentro do amor e nos fazer mal?
Limitamos-nos ao passo que nos conformamos com palavras, gestos, atitudes. E então, atitudes alheias que falam por nós são pedaços da gente? Ou deixamos de ser quando somos representados pelos alheios e isso se torna um hábito?
Acontece que por vezes eu penso num vazio... Eu sei que você não gosta de ouvir os seus defeitos, tampouco eu... E agora eu sei que faço parte de você.
É que às vezes essas coisas ficam impregnadas dentro da gente... Tão lá no fundo que a gente não percebe o motivo de nossos automatismos, tiques, expressões involuntárias de uma mente embotada de pensamentos afoitos e severas batidas de um coração cansado.
Se eu quiser, eu chovo em você, pois sei que você já se choveu em mim.
Se eu quiser, mas eu sempre chovo...
E quando eu chovo, como agora, você nota que já estamos distantes, tão distantes que precisamos nos abraçar.
É daí que surge o abraço, quando eu me percebo sem chão diante da força que sai de você e afeta esse “eu” que existe dentro de mim que às vezes não sou eu, somos “nós”.
É que às vezes essas coisas ficam impregnadas dentro da gente...
muito impregnadas dentro da gente...
Escrito por Pedro Vinícius às 17h02
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